Em meu desenho emprego uma série de recursos gráficos —como a conjugação acumulada de grafite, lápis de cera, caneta hidrográfica, pastel, bastão de tinta a óleo, spray e marcador— que resultam em superfícies profusas e heterogêneas devido à variedade de materiais e gestos.

A partir dessa técnica, são criadas unidades modulares de desenhos que se justapõem em grandes composições ortogonais. O resultado é uma negociação entre o acaso —na medida em que o trabalho não obedece a um projeto inicial— e deliberações —que surgem do próprio processo de criação. 

Um desenho pode ser uma representação gráfica do pensamento, uma forma de identificar e gerir informações fragmentadas. Minha tentativa, entretanto, é de dar corpo a um fluxo de ideias organicamente, e não de organizá-las.


Flerto com a imagem do ectoplasma: uma substância etérea que ganha contornos ao materializar-se. Ainda que as formas que apareçam na superfície do papel sugiram planetas, mitocôndrias, pedras, ovos, diagramas, explosões, destroços, elas não têm o objetivo de definir coisas. Trata-se, antes, de explorar o informe, o que não tem nome, o inclassificável. 

O trabalho, no entanto, tem se diversificado com o uso de novas estratégias e a experimentação de novos meios. Coerentemente com sua própria natureza, passei a entender o desenho como a força motriz do trabalho e não como uma categoria que encerra a prática.



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In my drawing I use a series of graphic resources —such as the accumulation of graphite, wax crayon, pastel, oil bar, marker and other materials. Due to the variety of material and gesture, the resulting surfaces are profuse and heterogeneous.

With this technique, small modular units are crafted then juxtaposed in large orthogonal compositions. The resulting image is a negotiation between chance —since they do not obey any previously determined project— and deliberation —that emerge from the creative process itself.

A drawing may be a graphic representation of thoughts, a means to identify and manage fragmented information. My attempt with my drawings, nevertheless, is to give substance to a flow of ideas, organically, and not to organize them. 

I flirt with the image of the ectoplasm: an ethereal substance that gains contours as it materializes. The shapes that appear on the paper's surface may suggest planets, mitochondria, stones, eggs, diagrams, explosions, debris, and yet they do not have the purpose of defining things. It is rather a matter of exploring the unclassifiable, that which has no form, which has no name.

My work, nevertheless, has diversified with the use of new strategies and the experimentation of new media. Moreover, coherently with its own nature, I came to understand drawing as the driving force of work and not as a category that encloses practice.